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O festival de inverno é uma ode à beleza

Por Pedro Henrique Teixeira

Se fosse possível conceituar o festival de inverno, se fosse possível descrevê-lo, na imensidão dele, com poucas palavras, eu diria: O festival de inverno é uma ode à beleza. Sim, uma celebração do que é belo.

Esse debate é antigo, já Platão tentava conceituar o belo, Platão e tantos outros filósofos, eu e você também amigo (a) leitor (a), nós também padecemos dessa ânsia. Se você chegou até esse texto é que veio ao FIG, achou o aplicativo, se interessou por leitura. E tudo isso não é a busca pelo belo?


Platão definia a beleza como o ideal de todas as coisas, como se os objetos do mundo estivessem nublados, fossem cópias de seu próprio ideal (eu poderia dizer aqui que temos um ideal de Festival, mas deixemos as querelas para lá). Aristóteles, por sua vez, definia a beleza como algo capaz de produzir catarse (liberação de emoções ou tensões reprimidas) nos seus observadores. Quem já sentiu catarse sabe do seu poder. Sabe o quanto inundar uma cidade de arte pode promover um jardim de catarse, com pétalas de flores dançando extasiadas pelas ruas da cidade.


Para Alexander Baumgarten era preciso elaborar critérios para estabelecer regras para a definição da arte e da estética como expressão de beleza. Kant estabeleceu a relação entre quem faz a arte, a obra em si (fonte da beleza) e quem observa, com a ideia de que a subjetividade não tão dona do gosto do que é belo, que é preciso educação para se poder chegar à beleza. Horkheimer e Walter Benjamin também contribuíram para o debate relacionando o belo, e a perda da beleza, com o conceito de indústria cultural.


Acho belíssima a definição de Djavan para o que é belo. Definindo seu objeto de desejo, um ser humano, como: “Art Noveau da natureza”. Nem me preocupo com explicações sobre tão belo conceito.

Mas para mim, nada se comprar a definição, em sua bela simplicidade, do escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, para a definição do que é a beleza o escritor supracitado, em dois atos, diz:

“A minha mãe morreu muito cedo.


Eu estava com seis pra sete anos. Morreu de câncer com 33 anos. Naquele tempo, minha mãe tinha uma voz muito bonita... Quando a dor do câncer era muito grande e ela não estava suportando, sentava na cama e cantava maravilhosamente bem. Então a gente sabia que a dor era muita... Aquela voz muito bonita de soprano atravessava a casa inteira, atravessava o quintal. Assim a gente sabia que estava doendo muito”.


Sim, a beleza é alivio para nossas dores, mesmo que sejam dores insuportáveis. Convide alguém para ir às mais diversas manifestações de beleza e cure-se com essa pessoa, cure-se pela beleza.


"A beleza é tudo aquilo que você não dá conta de ver sozinho. Quando você encontra uma coisa muito bonita você fala assim: "ih...fulano deveria ver isso" ... A beleza não cabe em você então... Eu acho que a beleza é profundamente triste quando você está sozinho. Você não dá conta dela, ela pesa muito... então você tem que passar pra alguém".


Sim, convide alguém para alcançar o belo com você, chame alguém para dividir o peso da beleza, para compartilhar o desejo do que é belo, para entrar em estado de poesia (catarse) para amar a arte juntos. Chame alguém para carregar o fardo do que bonito e infinito e se amem enlaçados pela alegria que a festa da beleza pode proporcionar a quem se ama.

Agradecemos ao inspirador texto do professor Pedro Henrique Teixeira, que nos lembra: o Festival de Inverno de Garanhuns é uma celebração da beleza! Convide alguém para compartilhar esse encanto e viver momentos poéticos juntos. Aprecie a arte, ame a beleza, e aproveite o FIG!

Foto: Pedro Teixeira


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