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Festival de Inverno de Garanhuns: uma experiência com o tempo


Celebração de abertura do 27º FIG | foto: Junio Melo | App Guia do FIG

Há algum tempo que gosto de observar como acontece nossa percepção de tempo. É algo muito subjetivo que vai muito além das horas e minutos do relógio e até mesmo dos meses do calendário. Dependendo da situação, parece que o universo se expande e alguns segundos se tornam intermináveis horas.


Alguns anos em nossa biografia podem passar sem que o tempo seja pontuado de forma marcante. Percebemos bem sua passagem geralmente em datas festivas, por exemplo. Mais um natal que chega nos coloca diante dele. Um aniversário também é outra oportunidade de refletir.

O tempo é um rio que não para de correr e estamos ali na margem só olhando. Às vezes conseguimos fazer com que o tempo seja eterno, são os bons momentos que vivemos. “O dia que meu filho nasceu” “aquele dia que saímos como a família toda reunida e viajamos.” “Quando passei no vestibular.”

Aqui em nossa cidade temos a oportunidade de experienciar o tempo com a chegada do Festival de Inverno.


Para mim o FIG sempre foi um portal que dividia as coisas em antes e depois dos dez dias de festa. Todas as coisas prováveis e improváveis aconteciam nestes dias e nada era igual ao que era antes dele. Assistia a um ‘show’, conhecia uma banda nova, passava a ter uma nova preferência.


Um poeta declamando repente na rua me revelava uma diferente percepção do mundo. Novas amizades surgiam, outras mudavam. Encontrava pessoas que parece que o destina havia se encarregado de colocar justamente na magia das luzes da praça “guardalajara”.


O ano passava melhor depois do FIG. E cada um deles marcava uma época que ficava e outra que chegava.

Eu consigo me lembrar o que se passou no ‘show’ de Zé Ramalho, as pessoas que estavam lá. Lembro da excelente descoberta de conhecer academia da berlinda e curtir com minha atual esposa quando ainda não éramos nem namorados. Lembro quando escutei Milton Nascimento a primeira vez pessoalmente e como me espantou o tamanho daquela voz. Nunca pensei que veria um ‘show’ dos Racionais no interior pernambucano. Lembro de um incrível ‘show’ do Otto com amigos que já nem os vejo mais, mas que de alguma forma eles ainda estão lá. Estão comigo, curtindo aquele momento de festa.


Isso é um jeito que temos de perceber, pontuar e eternizar memórias. E memória é a forma de vencer o tic tac do relógio. Perceber a grandeza disso é uma forma de viver mais. Então vocês, queridos leitores, que vão ao FIG aproveitem como for.


Não preciso nem lembrar que o festival não acontece apenas no palco principal. Acontece nas ruas lotadas de gente, nas barraquinhas de comida, nas apresentações do gospel, nos encontros esperados e inesperados, na virtuosi da catedral de Santo Antônio, na música mais-que-linda instrumental do Pau-Pombo e tudo mais que só uma andada despretensiosa pela cidade pode trazer.


O FIG é uma espécie de ano novo para o garanhuense. A cidade se enche de vida e algo fica na atmosfera dos cidadãos. Feliz novos momentos para todos vocês, camaradas.


Weslly Guimarães - Colaborador | Guia do FIG


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